"...porque amor bonito é amor reciproco, o resto é gritaria desnecessária"


Você chegou como quem não queria nada, ofereceu tudo e mais um pouco. Amor, fidelidade, carinho, compreensão, em um mundo de pessoas perfeitas você seria o modelo ideal. Minha avó já diz que quando a esmola é demais o santo desconfia, mas a gente esquece o que a avó nos ensina e eu nem desconfiei, pelo contrário, agradeci a vida pelo maravilhoso presente.

O problema das aparências é que elas não podem ser mantidas pra sempre, o tempo vai fazendo com que o que não é real, termine por desmoronar, e assim como um vento que passa e sopra forte, seu amor foi indo e não tive como segurá-lo entre os dedos.

Você prometia céus e terra, e eu só queria um amorzinho gostoso no fim da tarde, um filmezinho em uma tarde de domingo, um passeio qualquer em uma rua qualquer que apenas me lembra-se que a beleza da vida está nas coisas simples, que quase sempre a gente esquece.

De mais a mais, com o tempo a gente cansa de brincar de amar, de fingir que está tudo bem, e cá entre nós eu nunca soube amar de aparências, se as coisas não estão bem você vai perceber no meu mal humor ou na minha cara azeda.

Na verdade seu amor não passou de barulho desnecessário, faltava reciprocidade, falta vida a dois, cumplicidade. Amor não é teoria, e você confunde as coisas quase sempre. Dizer que ama e amar são coisas diferentes e lamentavelmente você não percebe isso.

Presentes não são prêmios de consolação que a gente dá quando pisa na bola, mais formas gentis de demonstrarmos o quanto amamos alguém. São consequências do sentimento mútuo que partilhamos.

E não, eu não quero esse seu amor. Pode parecer egoísta - como você fez questão de deixar bem claro para mim -, se for o caso, eu prefiro ser egoísta e lutar para viver um amor recíproco a negar o que acredito só para está acompanhado.

Quanto a mim cá estou, esperando um amor que não se faça só de palavras. Li esses dias, não sei de quem é a frase, mas gosto muito dela, e diz o seguinte: "...porque amor bonito é amor reciproco, o resto é gritaria desnecessária".

Joanderson Oliveira