Meu lado clichê



Meu lado clichê sempre me fez gostar do simples, ficar parado vendo momentos considerado banais, como os olhos brilhando de duas pessoas apaixonadas que desfrutam das delícias e euforias do início de tudo.

Meu lado clichê tem sonhos que ninguém entende, verdades que poucos acreditam. É um lado, assim de lado, de pouco caso, que poucos veem, e muitos não acreditam.

Meu lado clichê sorrir com a mensagem de bom dia, o pedido de "vai agora não, fica mais um pouco". É o meu lado clichê que acredita sempre em dias melhores, que acredita que rosas e livros são os melhores presentes do mundo, são poéticos, e muitas vezes vorazes.

Meu lado clichê às vezes me escapa, me foge, se desprende, quer vida própria, quer sair por ai, ser dono do próprio nariz, morre de amor e acredita que a realidade não precisa ser tão cinza, existem tantas cores disponíveis, porque não colori-lá!

Meu lado clichê se esconde, faz birra, faz dengo, entende, compreende, perdoa, se nega, bate o pé, vai embora, fica, insiste, se inventa, reinventa, é belo, é forte, é fraco, frágil, é duradouro, é breve, constante, inconstante. Não é. Não foi. Está sendo.

Meu lado clichê adora palavras, vive agarrado a elas, escreve futuros, contorna passados, se olha no espelho observa o reflexo, se questiona e percebe como algumas coisas são de fato efêmeras.

Meu lado clichê não é romântico, ele é apaixonado, é vivo, intenso, sem medo. É meu lado clichê que acha as pequenas ou grandes loucuras de amor quase sempre algo poético.

Meu lado clichê tem muito amor dentro do peito, dentro e fora dele. Meu lado clichê que traficar o amor, e espalhar ele por todos os lados.

Meu lado clichê acredita em dias melhores, e entende que eles são cheios de afeto. Meu lado clichê fecha os olhos e acredita neles...

e assim os espera, porque no fim a vida é um grande clichê e o meu lado clichê gosta dessa ideia.

Joanderson Oliveira